E aqui fica a certeza da alma nublada.
Arrancada dos muros do amor materno,
Conhecedor da destreza do poeta
Sabedor do ente parido
Confundiu-me a abóbada de teus cuidados
A transmutação do pranto em felicidade
Tão profundamente humana e por isso
Afetuosamente desumana
Renovado o outono a cada instante
A educar os fragmentos de teus sorrisos ainda nesta morada
E o suplício de teu silêncio falante
A chover tua voz em brio
É ali a minha pátria, a mais remota casa.
O ditame ilimitado daquele mundo errante
Não se equipara ao irrelevante barro
Mas aos alísios de nordeste que trazem a precipitação
Dá vida e perpetua a vida
Retirei-me do abissal ventre da mulher deixando raízes
Plantando vestígios em outros colos
Pois aqui fora restou-me apenas
A tenra matéria de sua placenta
"Publicação especial para a Homenagem Coletiva do Dia das Mães, promovida pelo Fio de Ariadne. Visite: http://fio-de-ariadne.blogspot.com
"Woman in the waves", 1868 (Courbet) "Woman with white stockings", 1861 (Courbet) "Lovers in the countryside", 1844 (Courbet) "Young ladies at the bank of the Seine ", 1857 (Courbet) "The origin of the world", 1866 (Courbet)