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Dialética


vão-se-indo

vão-se-vindo

nos versos partindo

as dores que sinto

como se no parto

cortasse o umbigo

e restasse apenas

daquele instante vago

um traço consangüíneo



"As duas Fridas", Frida Khalo, 1939.


Ao Desencontro


já não chora a


es

ta

lac

ti

te


a ausência da umidade


o vão da saudade


verteu-se em pranto da


es

ta

lag

mi

te




"Rocky Landscape", Paul Klee, 1919.


Alusão




te encontro em cada vão
te encontro nas esquinas

te encontro em todo canto
te encontro em outras línguas

te encontro em toda parte
te encontro em outras sinas

a ti fazer alusão
é aludir minha ilusão...




"La Grande Odalisque", Ingres, 1814.

Fantasma



Tenho saudades do que já não sou

Em mim só um espectro ficou

Uma sombra amorfa, ausente

Que paira no oco que restou


Não sei se havia alguma essência

Se algo em mim se consolidou

Se os espelhos refletiam-me em transparência

Ou se minha face o enganou


Sobrou-me o convívio com outros espíritos

Que vêm e vão à imensidão dos vãos

Almas dançantes sobre essa massa incorpórea

Aparição inútil e vão órgão.

Rima


Lamentaria entristecida

Essa estória interrompida


Em labirinto perdida

Em versos, constituída

Mas deveras sem poesia


Se não fosse a vida

Que quase nunca rima


É um verso branco

Em que ritmo e canto se dão

A depender de quem preenche o vão.

Amputação


Percepção esquisita essa

Que uma perda gradual encerra

Um membro, uma parte, uma perna

Que se anula, se vai, se dilacera.


Resta somente a sombra da amputação

Como um amargo grilhão presente, dizendo não

Como um tormento pungente e vão

Por se ter invisivelmente a sensação.