* Sitiante (à minha mãe)



Apartaste.


E aqui fica a certeza da alma nublada.
Arrancada dos muros do amor materno,
Conhecedor da destreza do poeta
Sabedor do ente parido

Confundiu-me a abóbada de teus cuidados
A transmutação do pranto em felicidade
Tão
profundamente humana e por isso
Afetuosamente desumana

Renovado o outono a cada instante
A educar os fragmentos de teus sorrisos ainda nesta morada
E o suplício de teu silêncio falante
A chover tua voz em brio

É ali a minha pátria, a mais remota casa.


O ditame ilimitado daquele mundo errante
Não se equipara ao irrelevante barro
Mas aos alísios de nordeste que trazem a precipitação
Dá vida e perpetua a vida

Retirei-me do abissal ventre da mulher deixando raízes
Plantando vestígios em outros colos
Pois aqui fora restou-me apenas

A tenra matéria de sua placenta





"Publicação especial para a Homenagem Coletiva do Dia das Mães, promovida pelo Fio de Ariadne.
Visite: http://fio-de-ariadne.blogspot.com


"A mãe e o filho", Gustav Klimt, 1905.

19 sorveram o néctar:

Tempestade disse...

Que lindo poema!
Não conhecia essa autor!
Cheguei aqui através do Fio, pois também estou participando!
Beijos Tempestuosos e bom domingo!

Ariane Rodrigues disse...

Tempestade, que autor? Eu? Rs. Obrigada. Também te visitarei. Beijos.

james p. disse...

Ariane,que lindo poema.Lindo mesmo,sem lugares comuns.Me emocionei.Você é uma POETA porque consegue tocar essas fibras do nosso coração que tantas vezes nem percbemos,minha querida.Grande abraço.

Fatima Cristina disse...

Oi Ariane,
Lindo post!
Um Feliz Dia das Mães para você também!
Abraços,
Fatima

Ariane Rodrigues disse...

Oi James. Obrigada. É sempre bom emocionar alguém! Abraço!

Ariane Rodrigues disse...

Obrigada Fátima! Seja bem vinda! Abraço!

Maze disse...

Homenagem singela que compactuo com todas as mães que VOAREM por aqui...
Linda e emocionante.
Obrigada por todas nós( yo, tu y muchas otras más)

Ariane Rodrigues disse...

Bjo no coração, Mazé!

Vanessa disse...

Ariane, concordo com o James. Sentimentos tão conhecidos, poderiam até ser chamados de banais, talvez. Aí chega o poeta e os transforma em palavras emocionantes.

Muito obrigada por participar desta homenagem coletiva.

bjs

Ariane Rodrigues disse...

Ahh Vanessa! Muito feliz fico pois acho mesmo que a poesia deve emocionar! Um abraço grande e obrigada você pela oportunidade!

A garota do copo d'gua disse...

lindo lindo..
boa semana ari
;*

Ariane Rodrigues disse...

Linda é você Garota! Boa semana pra ti tbm!

J.F. de Souza disse...

Ariane! Muié! Que lindo, isso aqui... =)
Queria ter escrito isso! =)

=*

Ariane Rodrigues disse...

Obrigada JF! Também confesso querer ter escrito muita coisa tua. =)

Compulsão Diária disse...

A chover tua voz em brio!

Gostei do poema todo ele narrativa de um amor fundo, remota casa.

Raízes inesperadas.

Ariane Rodrigues disse...

Abraço querida Compulsão benfazeja!

Moacy Cirne disse...

Oi, cheguei aqui a partir do Zappa. E confesso, de cara: dei uma geral e me deparei com uma agradável surpresa. Voltarei, assim espero.

Um abraço.

Ariane Rodrigues disse...

Obrigada Moacy. Se não se lembra já andastes por essas paragens. Abraço!

PAULO MIRANDA (A Folha) disse...

Só posso dizer...
BRILHANTE!!!