clandestino


amo-te com minhas estranhas entranhas
e com as vísceras não vistas

amo-te com meus fluidos sem uso
e com a saliva esquiva

amo-te com minhas veias e artérias
alheia e etérea

amo-te com minhas amígdalas
protegida escondida

e amo-te como quem dorme
e amo-te como quem foge



"Tulips field in Holland", Monet, 1886.

5 sorveram o néctar:

Wesley disse...

Um amor escondido no fundo do ser, um amor que só se revela na poesia. Amei o poema, um abraço!

Wanderley Elian Lima disse...

Uma declaração de amor subjetiva, porém completa. Para se falar de amor, qualquer maneira é válida.
Bjux

HISTORIANDO disse...

Amor viceral.Só se ama com as víceras e entranhas, pois é o que existe de mais intenso,latente e primitivo, só extraído pela poesia.Parabéns.Continues a polinizar.

Aline Veingartner disse...

Gosto de poemas viscerais assim :)
Parabéns!

Eduardo Trindade disse...

Nossa, quanta intensidade! Amor que confunde-se com a pessoa amada em fluidos sem uso e no que temos de mais íntimo. Interessante, aliás, esta proteção-esconderijo: amar-fugir-dormir, o que há de subjetivo, por trás de tudo o que é fisiologicamente palpável.
Abraços!