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a canoa


a canoa
sem remos
entoa
o silêncio
serena
na lagoa
ôca
una
à tôa


"Le Bateau-atelier", Monet, 1874.

a montanha


a montanha medonha
mantém a manha
com a manta tamanha
toma distância


"The Valley of the Nervia", Monet, 1884.

clandestino


amo-te com minhas estranhas entranhas
e com as vísceras não vistas

amo-te com meus fluidos sem uso
e com a saliva esquiva

amo-te com minhas veias e artérias
alheia e etérea

amo-te com minhas amígdalas
protegida escondida

e amo-te como quem dorme
e amo-te como quem foge



"Tulips field in Holland", Monet, 1886.

flores incógnitas


por que insisto em ofertar gérberas
se continuam a lançar pedras?

por que cultivo margaridas
num terreno de tantas feridas?

por que semeio girassóis
buscando um calor que me corrói?

por que adoro violetas
em meio às cores neutras?

por que busco tulipas
num deserto à míngua?

por que tenho uma flor de lótus
cercada de destroços?

por que me sorriem orquídeas
nas paredes demolidas?

por que me chamam as rosas
à tela de natureza morta?

por que conservo um jardim
no estrato mais estúpido de mim?




"Poppy Field at Vetheuil", Monet, 1879.

o muro



no tubo estreito
o pão seco e duro
espesso engulo

inteiro o peso
o não teso empurro
o medo o muro

escuro o beco
o vão preso interrupto
o freio o urro




"The boat studio", Monet, 1876.

última lembrança


o que se sucedia
ocorria em camadas
como rosa que tardia
ainda assim desabrochava

mas a flor daquele dia
que então despetalava
na mente fugidia
não seria mais exalada!



"Iris jaunes", Monet, 1925.

changing



take a chance to change
change to take a chance



"Water-Lilies", Monet, 1914.

*Encruzilhada




"La Promenade Sur La Falaise", Monet, 1882.

*Publicação para a Tertúlia Virtual.