Uno



canto o canto

caminho o caminho

sonho o sonho


um

poeta

sozinho



"O despertar de Ícaro", Lúcilio de Albuquerque, 1910.

o que refletem nossos olhos


eu vejo o mundo com os meus olhos

tu vês o mundo com os teus olhos


que pena! que óbvio!


nem tudo é tão belo e claro

quant(d)o Abr'olhos!




"The Manneporte", Monet, 1883.

Entrevista no Fio de Ariadne

Olá queridos leitores do blog, hoje estou no


http://fio-de-ariadne.blogspot.com


Quem quiser,
pode passar lá e comentar também!
O blog da Vanessa além de indicar bons escritores
também é composto de belíssimos textos.
Abraços a todos que têm pousado por aqui

e que pousarão por ali.


Vale a pena puxar o fio...

Dormência



o sono não tem dono

seu comando é o desmando

tudo vem ninando

o ruído é canto

a palavra é acalanto

as pestanas vão cerrando

resistindo entretanto

até quando...



"Sleeping girl with a cat", Renoir, 1880.

Luto


e o gato preto cruzou a noite parecendo intensificá-la


e a lua com lágrimas de kajal seu rosto borrava


e a rua não me guiava escura em seu asfalto


e eu vagava enquanto um corvo entoava um grito enfático


e as cores das casas combinavam com minha sombra ao lado


...


os olhos dele eram negros


eu luto




"Des pauvres au bord de la mer", Picasso, 1903.


Lápide


LAPIDE

O

POEMA?



"Group of a balcony", Goya, 1815.

Denominações


a poesia é fútil

embora nobre

a poesia é van

embora Gogh



"The Mulberry Tree", Van Gogh, 1889.



Cordão


cor

ver

cor

ter

cor

ser



cor - ação

(tudo faz)

cor - relação




"Detail of Sunflowers", Van Gogh, 1853.





deleito-me em teus

seios, seios

com meus

dedos, dedos, dedos, dedos, dedos

e os

beijo, beijo

com

Desejo

Desejo

Desejo

Desejo

Desejo


Ópio


verti-me adulterado desde que te conheci

me corrompi, despertei de todo meu ócio

de tal modo que todos os caminhos que percorri

desembocaram nas tuas trompas de falópio


Tu


Tu és raiz quando me espalho

és caule em mim suportado

és folha em mim ornado

és fruto em mim maturado

Tu és seiva. Eu sou orvalho.




Espermanência

o meu gozo é sem fim

seja no teu contentamento

seja no teu desfalecimento

ainda espermaneces em mim



Jardim

Reparto-me e refaço-me.

Árvore.


A revestir-te e proteger-te.

Pétalas.



A aninhar-te em cada parte.

Folhas e caule.


A prender-te.

Raiz.


P(á)ra...


... não perder-te.

Jardim.




"Woman in the waves", 1868 (Courbet)
"Woman with white stockings", 1861 (Courbet)
"Lovers in the countryside", 1844 (Courbet)
"Young ladies at the bank of the Seine ", 1857 (Courbet)
"The origin of the world", 1866 (Courbet)

Ao Desencontro


já não chora a


es

ta

lac

ti

te


a ausência da umidade


o vão da saudade


verteu-se em pranto da


es

ta

lag

mi

te




"Rocky Landscape", Paul Klee, 1919.


Fingere


aberta a mente

a mente mente

abertamente



"Squares with concentric rings", Kandisnky, 1913.

A humanidade é feminina


o mal bem-me-quer

o bem mal-me-quer

o mal o bem

tudo convém

à alma da mulher





"Unstable cover", Iman Maleki, 1995.