O Vermelho e o Branco


Meu corpo é branco.

Meu coração é vermelho.


Se como um espelho

O pálido reflete o corado

Este está contido naquele

E do mesmo faz parte

No jardim cândido

Há uma rosa escarlate.


E sendo, portanto o alvo

Em rubro misturado

Retifico de modo mais claro

O que então se tornou encarnado:


Vermelho é meu corpo.

Branco é meu coração.




Óleo de Camille Pissarro.

4 sorveram o néctar:

Marcelo Martins disse...

Sorte dos que conseguem curar seus corações, e verificar tal cura no rosado em seus rostos tranquilhos ante um espelho.
Tarefá árdua, mas possível...

Ariane disse...

Para cada ferida vermelha
Uma branca cicatriz...

Obrigada Marcelo!

André L. Soares disse...

Ah,... e quem disse que sua poesia não é engajada? A maior luta humana não é trava de cada um de nós? Contra nós mesmos? Não é a busca do amor que nos move em quase todos os momentos? Então sua poesia está, sim, engajadíssima - e armada de belas palavras - na busca do que nós é mais importante.

Grande abraço, Poetisa!

Ariane disse...

Sim, tem razão André! E como é difícil essa batalha travada no âmago de nós mesmos...

Seja bem vindo! Espero que volte!