For keeps




You are dark
I am light

You are an iceberg
I am the desert

You are sand
I'm the rain

How could it be
In my hands 
The land
I can't keep?



"Magdalene in ecstasy", Caravaggio, 1606.

Espera


nada ainda
ainda anda

"Morning", Munch, 1884.

Encontro


eu
serei
sempre tua
e quando tua
serei sempre
eu


"Girl before a mirror", Picasso, 1932.

Dália



havia uma dália ali
uma dália ali eu via

alguém a roubou de mim


"The Sleeping Spinner", Courbet, 1853.

canção do exílio


ah eu quero voltar à Bahia
as aves não gorjeiam aqui em Min...as

"Margens de Les Saint-Maries", Van Gogh, 1888.

ave poema


poesia minha
poeminha
bico de pena
avezinha
leve pequena
ave poema!


"A cadeira de Van Gogh", Van Gogh, 1890.

caminhante

o

c
a
m
i
n
h
o

eu

c
a
m
i
n
h
o

                                                                 mas aonde me levará o destino?


"The Shepherdess", Millet, 1864.

Distância


meu bem
estou de quarentena
a quilômetros de distância
eu sou só ausência

meu bem
a minha doença é a indiferença

"Paranoiac Astral Image", Dali, 1934.

poema cáustico


o suco gástrico das palavras
corrói o estômago
e dói
a dor escancarada
do desencanto

"Vampire", Munch, 1894.

Poesia no blog do Talles


Olá pessoal, hoje estou também no blog do Talles Azigon:


Convido a todos a visitarem mais um espaço poético que a sensibilidade do Talles faz mais aconchegante.

Abraços!

Ariane

o poste


o poste
ilumina
a rua
e a sua
ninguém
ilumina

poste
não
caminha

"Not to be reproduced", Magritte, 1937.

Neste Natal



Neste Natal
recuso-me a ser superficial
não quero as conversas fáticas
nem as relações fálicas
quero a intensidade, o apego
embora tenha medo

Neste Natal
recuso os preconceitos, o desprezo
quero ser diverso e igual
como verso impresso e digital
como o sorriso negro e virginal
embora seja leigo

Neste Natal
recuso a espera eterna
que me caiba o antigo jeans
a crença de que a ortografia
com o trema melhor ficaria
e a coluna do meio, pois sou inteiro

Neste Natal
recuso-me a ser posseiro
não tenho fama nem dinheiro
quero andar descalço na grama
mas sem pisar no formigueiro
dar boas vindas à mudança
pois é chato ser o mesmo

Neste Natal
recuso-me a me depreciar
se eu não me poupar, quem o fará?
aprendi que se amar não é só incumbência
mas também sobrevivência
nisso eu creio

Neste Natal
quero um novo lema
apesar das perdas, tudo me acena
não quero a pena nem a queixa
nada que me anoiteça
ainda que seja o final da cena
e o umbral do poema...


"A Sagrada Família Canigiani", Rafael, 1508.