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flores


veja sobre o túmulo as flores
veja: sobre o túmulo, há flores

"Promenade", Chagall, 1918.

amor barroco


quando a mariposa
se acerca do candeeiro
não sabe que seu beijo
trairá a sua boca

quando o candelabro
tentando ser inteiro
ilumina o seu negro
a sacrifica desencontrado

e o que é encanto profundo
esvanece na luz do roceiro
que não pode ser feito
noturno, perfeito, fecundo

"The mill", Rembrandt, 1650.

*Tragedy on Morgue Street





a glass of wine and a knife
he wasn´t a glad valentine

"The Boulevard Montmartre at Night, 1897.


Publicado também em: http://myenglish-poems.blogspot.com

time


as time passes by
people come to life
as time passes fast
people come to death

as time grows old
we get so
less
instead
"Meditative Rose", Dali, 1958.

*Outono



Gostaria perder-me no outono
Em algum bosque de ouro
Num adeus, me diriam: "_tolo"
E meus rastos já não teriam dono

Mas esconder-me entre as amarelas
Fartas folhas e tantas
Entristeceria em ocre medonhas
O desabotoar das próximas gérberas!




"A Wooded Path in Autumn", Brendekilde, ?

*Republicação

* Prece ao Vento



Oh, Ventos de desgosto

Que meu rosto transpassam

Movimentos sem gosto

Que de mim tudo arrastam!



Aquietem-se em minh’alma

Sosseguem meu corpo

Como sopro leve e brisa calma

Quanto um sussurro morto.




"Snowstorm", Willian Turner, 1842.
*Republicação

Luto


e o gato preto cruzou a noite parecendo intensificá-la


e a lua com lágrimas de kajal seu rosto borrava


e a rua não me guiava escura em seu asfalto


e eu vagava enquanto um corvo entoava um grito enfático


e as cores das casas combinavam com minha sombra ao lado


...


os olhos dele eram negros


eu luto




"Des pauvres au bord de la mer", Picasso, 1903.


Lápide


LAPIDE

O

POEMA?



"Group of a balcony", Goya, 1815.

Outono




Gostaria perder-me no outono
Em algum bosque de ouro
Num adeus, me diriam: "_tolo"
E meus rastos já não teriam dono

Mas esconder-me entre as amarelas
Fartas folhas e tantas
Entristeceria em ocre medonhas
O desabotoar das próximas gérberas!




"A Primavera", Monet, 1886.

Essa parte que cala


Essa parte rígida que cala

Em mordaça apaziguada

É também adaga que transpassa

Os espaços contidos n'alma.


Essa parte fria que cala

É vão adormecido em calhas

Animal contido em jaula

Flor que não mais exala.


Só não me peçam para negá-la

Pois que em cruz já esteve ilhada

Não poderia mais abandoná-la

No leito escuro das valas!




"Philosopher in Meditation", Rembrandt, 1632.

Natureza Morta



Todos têm um quadro desses:

Parado, em cima de um móvel

Ou sob o coração, imóvel

Senão numa grande parede!


Um belo vaso de flores

Sobre a mesa, estático

E dentro artigos de plástico

Contendo mortos amores!




"Vaso de flores", Guignard, 1931.


Soneto aos Mortos


Receio às pálidas mãos dos covardes

Que têm num traço de lamento na palma

Um texto desencontrado na sobretarde

E um séqüito de palhaços na alma.


Receio àqueles que vivem no escuro

Amarelos como fruto sem gosto e imaturo

Dependurados em árvore, estrangulados

Nas cordas do medo ou em cima do muro.


Não me domam receio e pranto

Não sou mulher de brutas alcovas

Nem enterro em covas meus acalantos.


Mas emprestado peço ao impávido a Boca do Inferno

Ao intrépido Dos Anjos, o cemitério, para num leito

Frio e calmo, deitar aos mortos, meus últimos versos.




"A morte do toureiro", Picasso, 1933.


O tempo passa


O tempo

O tempo dos nossos pais

O tempo juvenil

O tempo das crianças


passa

passa em lento soluçar

passa súbito sem pensar

passa quando menos esperar


num apagar...

num despertar...




"The Persistence of Memory", Salvador Dalí, 1931.