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maria


maria sempre quis
que a chamassem flor de lis
mas ninguém diz, ninguém diz


pobre maria que não sorri
deixou que seu nome
a determinasse infeliz


e assim foi. fim.


"La Magie Noire", Magritte, 1935.

gaivota


ela era uma gaivota
embora fosse
fosse embora
seu horizonte era uma porta
"Magic Garden", Klee, 1926.

o pássaro engaiolado


sonha a montanha

do lado de fora

a brisa canta

da gaiola

eu o vi

triste, sem esporas

eu o vi

livre e ainda chora

por que não vai embora



"A Soul Brought to Heaven", William-Adolphe Bouguereau, 1878.

* sonho


Esta noite tive um sonho, um sonho maldito

Intenso, que não terminava

Mas não eras tu quem eu acariciava

Pois não eras tu aquele ser onírico.


Um sonho mentiroso e bonito

Em que me acalentavas

Mas não eras tu quem me abraçavas

Pois não eras tu naquele sorriso.


Acordei desse sonho magoado e sofrido

Para mim não adicionava nada

Mas não eras tu quem aqui estavas

Pois me despertava um desconhecido.




"Os Amantes", Magritte, 1928

* republicação

outra estrada


outra estrada

que me permita seguir adiante

sem olvidar os beirais da jornada


outra estrada

que aponte um horizonte sempre mais longe

mas que eu sinta que já é chegada


outra estrada

em que eu transeunte

ainda me sinta aconchegada


outra estrada

uma Pasárgada insone

seja madrugada, seja alvorada!




"Forest Path", Hein Van Den Heuvel.


A Essência é Ar (para quem voa)




São verbos de primeira conjugação:


SonhAr.

AmAr.

RespirAr.




"Mount Fuji and flowers", David Hockney, 1972.



* Quem desejar, pode outros verbos conjugar...

Precipitação


Estou a chover fragmentos

De um amor versado


Nesses pingos-excremento

Lavo-me em gotas de orvalho


Um sacrifício ofertado em lamento

Um pecado expelido, expiado


Gotículas em pedaços vertendo

Um sonho não acabado

Ponto



Sem versos, nem conto

Apenas um ponto

No branco

Encerrando

Um sonho.

Sonho


Esta noite tive um sonho, um sonho maldito

Intenso, que não terminava

Mas não eras tu quem eu acariciava

Pois não eras tu aquele ser onírico.


Um sonho mentiroso e bonito

Em que me acalentavas

Mas não eras tu quem me abraçavas

Pois não eras tu naquele sorriso.


Acordei desse sonho magoado e sofrido

Para mim não adicionava nada

Mas não eras tu quem aqui estavas

Pois me despertava um desconhecido.