meu coração é minha matéria
é por isso que quando meu corpo penetras
atinges também minhas artérias
"Danae", Gustav Klimt, 1908.
"o poeta é um fingidor..."
meu coração é minha matéria
é por isso que quando meu corpo penetras
atinges também minhas artérias
desde que foste a natureza se corrompeu.
desvirtuou a cachoeira de meus ombros
subornou meu ribeirão de cabelos
confiscou de meu corpo os desejos
e minha boca foi acometida pela desertificação
preservou apenas o sol sob os montes
que ainda queima, que ainda arde
pantera em grade que se confunde
em meio as noites de solidão
a chover esse continente inabitado
imaculado, sem adulteração

Meu corpo é branco.
Meu coração é vermelho.
Se como um espelho
O pálido reflete o corado
Este está contido naquele
E do mesmo faz parte
No jardim cândido
Há uma rosa escarlate.
E sendo, portanto o alvo
Em rubro misturado
Retifico de modo mais claro
O que então se tornou encarnado:
Vermelho é meu corpo.
Branco é meu coração.