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Soneto aos Mortos


Receio às pálidas mãos dos covardes

Que têm num traço de lamento na palma

Um texto desencontrado na sobretarde

E um séqüito de palhaços na alma.


Receio àqueles que vivem no escuro

Amarelos como fruto sem gosto e imaturo

Dependurados em árvore, estrangulados

Nas cordas do medo ou em cima do muro.


Não me domam receio e pranto

Não sou mulher de brutas alcovas

Nem enterro em covas meus acalantos.


Mas emprestado peço ao impávido a Boca do Inferno

Ao intrépido Dos Anjos, o cemitério, para num leito

Frio e calmo, deitar aos mortos, meus últimos versos.




"A morte do toureiro", Picasso, 1933.