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Chuva de verão


você não me viu
naquela estação
mesmo sendo verão
e o trem partiu

você não me viu
você não me viu

"Chuva, vapor e velocidade", Willian Turner, 1844.

*Náufrago



Lancei-me ao mar na busca vã de te encontrar

Não sabia mais como esperar ver-te ao porto chegar

Nesse maritmo trôpego de ondas tamanhas

Sofri no frêmito balanço de tuas façanhas.


Entranhando-me no breu de meu ser louco, desencontrado e sôfrego

Resolvi voltar náufrago às docas, cambaleante e torto

A aguardar-te numa solidão desafinada e rouca com esperança pouca

De navegar outra vez nas águas de tua boca.




"Ulysses deriding Polyphemus", Willian Turner, 1829.
* Republicação

* Prece ao Vento



Oh, Ventos de desgosto

Que meu rosto transpassam

Movimentos sem gosto

Que de mim tudo arrastam!



Aquietem-se em minh’alma

Sosseguem meu corpo

Como sopro leve e brisa calma

Quanto um sussurro morto.




"Snowstorm", Willian Turner, 1842.
*Republicação