Mostrando postagens com marcador sentimentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sentimentos. Mostrar todas as postagens

eucalipto


pus o que sinto
na copa de um eucalipto
entre o ínfimo e o infinito
o equilíbrio

"Two Poplars on a Road through the Hills", Van Gogh, 1890.

Angiosperma


meu coração é minha matéria


é por isso que quando meu corpo penetras


atinges também minhas artérias




"Danae", Gustav Klimt, 1908.


A humanidade é feminina


o mal bem-me-quer

o bem mal-me-quer

o mal o bem

tudo convém

à alma da mulher





"Unstable cover", Iman Maleki, 1995.


Pena



entre nuvens

minha mente

a voar


como penugem

o que sente

se afastar


perto do lume

o remanescente

é penar




"Couple with a Parrot", Pieter de Hooch, 1668.


A Essência é Ar (para quem voa)




São verbos de primeira conjugação:


SonhAr.

AmAr.

RespirAr.




"Mount Fuji and flowers", David Hockney, 1972.



* Quem desejar, pode outros verbos conjugar...

O que tenho




O que não tenho
senão os anéis no anular?
O que não tenho
senão os trapos a me indumentar?
O que não tenho
senão os sapatos a me civilizar?

_ O que eu tenho, de fato, é nuclear!




"Par de sapatos", Van Gogh, 1887.

Invento


um invento

no pensamento tenho

abstrato

não compacto

intacto

puro e ingênuo

que toca-me com desdém

palpável e autoritário

porém



"Doze girassóis numa jarra", Van Gogh, 1888.

O pretérito sentimento poético


O sentimento da poesia não existe.

O que existe é a poesia de sentimento.

No momento em que a poesia se pronuncia,

Há muito o sentimento já se perdia.


Dobrou a esquina quando eu ainda não via!




"Landscape with butterflies", Salvador Dali, 1950.

A Criação


Um dia, um rei dessas estórias de “era uma vez”

Assinou uma lei que dizia: “todos deveriam amar”.

O pobre coitado havia esquecido que não se ama por decreto, somente por afeto.


Um outro dia, esse mesmo rei baixou uma resolução

Que afirmava que “todos deveriam seguir seu coração”.

Esqueceu mais uma vez que o reino era governado pelo brasão da razão.


Mais tarde quando percebeu que suas tentativas não funcionavam de fato

Tomou uma medida provisória drástica: “todos deveriam então se apaixonar”.

Funcionou por um tempo até quando um plebeu saiu por aí a dizer um boato.


Este espalhou pelas cercanias que o rei era louco

Que não poderia opinar nem governar

Porque os sentimentos do mundo eram de caráter profundo.


Que deveria cuidar da monarquia

Combater a tirania

E eliminar as epidemias.


De tal sorte, o rei percebeu que não havia muito que fazer

Ao que dizia respeito aos assuntos do coração

E que mandar em todos seria uma imposição.


Logo, ficou triste e essa sensação lhe deu uma última imaginação:

Pensou então que poderia, de maneira formal e irrevogável,

Criar uma social e feliz instituição...


Poeminha do medievo


Há em meu coração distintas sacadas.

Delas, estendem-se galerias

Contendo imagens tresloucadas

De menestréis despidos de alegria.


Com mãos trêmulas traçam acordes em um instrumento

Consumido pelo desejo daquelas que balançam os quadris

Sem se incomodar com julgamentos vis

Sem se perturbar com andanças do tempo.


Regressam à sacada atormentados acordes.

Migram para cá trazendo os fragmentos ensurdecidos

De meus fatigados dedos, sílabas trágicas abortadas,

Enamoradas das sonatas tombadas nas vielas públicas.


Aqui, da sacada, vão-se versos ao vento.

Vão errantes pelo oportuno outono

E certamente sangrarão em alguma província

Vidas famintas de metaforizados sentimentos.