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a montanha


a montanha medonha
mantém a manha
com a manta tamanha
toma distância


"The Valley of the Nervia", Monet, 1884.

excuses


it would be too easy
if I wasn't busy

it would be so cool
if I wasn't fool

it would be nice
if I wasn't quiet

it would be so glad
if I wasn't depressed

it would be terrific
if I wasn't sick

it would be safe
if I wasn't afraid

it would be pretty great
if I wasn't passionate



"Adolescence", Petrov-Vodkin, 1913.

fear


I'm facing my fear
I don't wanna frame a lie
I'm the one who cries
after dries the tears

I'm facing my fear
I'm leaving behind
entirely the tries
I suffered to clear

facing my fear
like a butterfly
which is still lying
in a caterpillar



"The Concert", Chagall, 1957.

o muro



no tubo estreito
o pão seco e duro
espesso engulo

inteiro o peso
o não teso empurro
o medo o muro

escuro o beco
o vão preso interrupto
o freio o urro




"The boat studio", Monet, 1876.

* Receio


um amor dos gregos me veio
e eu que era bárbaro
impávido, tive medo




"O nascimento de Vênus" Botticelli, 1483.

* poesia feita ao ler "O paciente inglês", de Michael Ondaatje.

Perspectiva



inverta o conceito
dome o medo





"Lua cheia", Paul Klee, 1919.

ciranda do medo


o medo de perder o medo

de perder o medo de perder

o medo de perder o medo


perder o medo de perder o

medo de perder o medo de

perder o medo de perder


o medo de perdê-lo




"Melancholy", Edward Munch, 1891.


rosa do medo


se meio medo


se meio rosas


sementes medrosas





"Wild Roses", Van Gogh, 1890.


Intermezzo



menino que treme de medo

não sabe que o morcego da noite

é o meio de encontrar

no deserto um camelo?




"Starry night over the Rhone", Van Gogh, 1888.


O medo


O medo da dor

já é dor

O medo da entrega

já é entrega

O medo do amor

já é amor.


O medo é uma espécie de futuro do pretérito!




"O grito", Edward Munch, 1893.

Soneto aos Mortos


Receio às pálidas mãos dos covardes

Que têm num traço de lamento na palma

Um texto desencontrado na sobretarde

E um séqüito de palhaços na alma.


Receio àqueles que vivem no escuro

Amarelos como fruto sem gosto e imaturo

Dependurados em árvore, estrangulados

Nas cordas do medo ou em cima do muro.


Não me domam receio e pranto

Não sou mulher de brutas alcovas

Nem enterro em covas meus acalantos.


Mas emprestado peço ao impávido a Boca do Inferno

Ao intrépido Dos Anjos, o cemitério, para num leito

Frio e calmo, deitar aos mortos, meus últimos versos.




"A morte do toureiro", Picasso, 1933.