
deleito-me em teus
seios, seios
com meus
dedos, dedos, dedos, dedos, dedos
e os
beijo, beijo
com
Desejo
Desejo
Desejo
Desejo
"Os amantes", Rodin
"o poeta é um fingidor..."

Aceito na areia ser grão perdido
Pois que da Vida já não duvido
Se apenas sou ente em grupo constituído
Não há outra maneira de acolher o Destino
Grânulo minúsculo e pequenino
Que na Natureza se encontra retido
A resignar-se perante um Todo, ferido
Por não ser Possuidor, mas ínfimo possuído!

Tenho fome de teu olhar
Que se declina ao longe, todavia
Meu sustento e pão a alimentar
Essas carnes não providas.
Tenho sede de teu sorriso
Que se subtrai sem entrega ou seria
Meu leite que nutre qual rio
Essas margens, que beira e sacia?
De tanta fome e sede sentir
Fornece-me às entranhas somente ausência
Farelos de comida reles e sucinta
E por não satisfazer-me sem ti
Consumindo-me corpo e alma em abstinência
Entrego-me calma, em migalhas e faminta.