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Vazio (à Ericka, sementinha minha)


Algo indefinível

Preenche-me invisível

Ata-me e consome

Deixa-me insone


Lacunas e espaços

Um vazio (com)passo

Que se move e se expande

Dentro de mim errante


Ele nunca preencho

Pois quando preencho me reinvento

Já não sou mais aquele de antes

Sou um vácuo constante


Enchendo meu poço

Transbordo triste e louco

E na abundância entornada

Novamente com a alma esvaziada

Algarismos


Uma casa, duas chaves

Uma sala, dois retratos

Uma mesa, dois pratos

Um quarto, dois armários

Duas camas, um vácuo.