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"La espera", Gambartes, 1960.

Tu


Tu és raiz quando me espalho

és caule em mim suportado

és folha em mim ornado

és fruto em mim maturado

Tu és seiva. Eu sou orvalho.


"O beijo", Gustav Klimt, 1908.


Língua Portuguesa: o discurso da mudança que não cansa

Muitos estudiosos da linguagem têm discutido sobre a maneira como a Língua Portuguesa vem sendo tratada em sala de aula, como a gramática não reflete a realidade lingüística brasileira. A distância entre elas existe não só pelas regras condizentes ao português de Portugal, mas também por não contemplar a diversidade dialetal do Brasil. O desafio que se coloca aos professores de português encontra-se no fato de como ensinar uma língua que não reflete a falada pelos alunos, como manter a tradição gramatical em meio às mudanças, em meio as variações.

Julgo que a questão básica para iniciar a discussão tanto no meio acadêmico quanto em sala de aula diz respeito à diversidade existente entre o português de Portugal e Brasil, numa perspectiva diacrônica; entre a oralidade e a escrita; e, consequentemente entre os dialetos. Partindo de uma visão histórica será mais fácil compreender os processos pelos quais a língua materna brasileira se constituiu como idioma nacional. Primeiramente, os professores devem tomar como premissa, sobretudo o respeito às diferenças culturais e dialetais, pois como poderiam discorrer sobre tal tema se não o aplicam cotidianamente em sala de aula? Está implícito nessa reflexão e é inerente à mesma um posicionamento apropriado por parte do educador no que se refere à aceitação e compreensão da realidade lingüística do aluno e dos momentos em que se faz necessário o uso do dialeto de prestígio na sociedade para fins específicos.

As discrepâncias relativas aos usos da oralidade e da escrita devem ser vistas como algo intrínseco a essas instâncias, principalmente no que concerne à língua falada e suas particularidades e não como um fenômeno lingüístico incorreto. O professor deve trabalhá-las como assunto primordial básico, sobretudo propondo atividades que contemplem a observação e a pesquisa na comunidade lingüística do aprendiz e as variações dialetais existentes. Dar-se-á nesse momento, uma grande oportunidade para discutir acerca das diferenças, e, por conseguinte, os usos. No tocante à escrita, a utilização em classe dos diversos gêneros de textos e relativos suportes pode auxiliar com eficácia a explanação a respeito da adequação do texto ao contexto. Sendo assim, a palavra-chave na aplicação das atividades é também a variedade.

Embora a compreensão dessa diversidade lingüística facilite o ensino posterior em relação aos aspectos semânticos, sintáticos, pragmáticos, persiste ainda uma gramática incoerente. Dessa forma, a meu ver, deve-se lançar mão da diversidade como argumento proporcionador para discorrer sobre a necessidade da unidade lingüística, a importância da normatização e os fatores concernentes a esta. De fato, o educador da língua materna tem uma tarefa árdua: convencer aos alunos que a norma contribui essencialmente para a instituição política e social de uma nação. Daí, a necessidade da matéria enfadonha. E como a linguagem é um fenômeno social deve ser realizada muitas vezes dentro das exigências que a sociedade impõe. Daí, a importância da unidade lingüística.

Esses discursos que parecem opostos, a priori, são facetas imprescindíveis de uma mesma questão: a língua em sua completude. Para o professor de Língua Portuguesa, o desafio agora já não é mais o de outrora. A senha é alterada para “equilíbrio”.

Para bem de todos, a meu ver professores não devem ignorar os fatos além-tradição e igualmente, os alunos não devem ser indiferentes à norma padrão. Eliminar os preconceitos facilitaria o processo ensino-aprendizagem em sua totalidade. Infelizmente, a discussão acerca da mudança ainda se restringe ao meio acadêmico, aos teóricos da língua e suas publicações com caráter polêmico. A aplicação em sala de aula dessa matéria até então depende de cada educador e deve ser avaliada continuamente, não para se chegar a um consenso, mas para socializar a emergência do discurso da mudança também dentro das escolas.