maria sempre quis
que a chamassem flor de lis
mas ninguém diz, ninguém diz
pobre maria que não sorri
deixou que seu nome
a determinasse infeliz
e assim foi. fim.
"La Magie Noire", Magritte, 1935.
"o poeta é um fingidor..."
Sem palavra, nem cara
Na ausência do nome
Algo se mascara
Algo se massacra
Na esfera da carne
A recôndita alma
Limitada em placas
Impressão aparente
Em senhas registradas
Que não se expande
Identifica ou dignifica
É ínfima, exangue
É algarismo potencializado
É amorfa e reparte
É o contrário
É o ser massificado
Quantia disfarçada
Em cifra transformado
Há fome onde não há vocábulo
Anestesiados atos
Que provocam infartos
Na ausência do nome,
A miséria do homem...