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Neste Natal



Neste Natal
recuso-me a ser superficial
não quero as conversas fáticas
nem as relações fálicas
quero a intensidade, o apego
embora tenha medo

Neste Natal
recuso os preconceitos, o desprezo
quero ser diverso e igual
como verso impresso e digital
como o sorriso negro e virginal
embora seja leigo

Neste Natal
recuso a espera eterna
que me caiba o antigo jeans
a crença de que a ortografia
com o trema melhor ficaria
e a coluna do meio, pois sou inteiro

Neste Natal
recuso-me a ser posseiro
não tenho fama nem dinheiro
quero andar descalço na grama
mas sem pisar no formigueiro
dar boas vindas à mudança
pois é chato ser o mesmo

Neste Natal
recuso-me a me depreciar
se eu não me poupar, quem o fará?
aprendi que se amar não é só incumbência
mas também sobrevivência
nisso eu creio

Neste Natal
quero um novo lema
apesar das perdas, tudo me acena
não quero a pena nem a queixa
nada que me anoiteça
ainda que seja o final da cena
e o umbral do poema...


"A Sagrada Família Canigiani", Rafael, 1508.

É Natal! Tempo de Agradecer...


Queridos amigos do blog,



Obrigado a todos que se fizeram "presentes" de algum modo.



Àqueles que aqui se perderam

Àqueles que aqui se encontraram

Àqueles que aqui comentaram

Àqueles que não.



Àqueles que aqui sentiram o coração aquecido

Àqueles que aqui criticaram sem disseminar o frio.



Obrigado, sobretudo, àqueles que agregaram a este espaço um pouco mais de poesia e àqueles que se tornaram em minha vida, a própria poesia...



Que todos os dias sejam de (re)nascimento!!!



Feliz Natal!!!




Detalhe "A criação de Adão", Michelangelo Buonarroti, 1510.